Blitz Cultural

Anoiteceu

Hoje, às 6h30 da manhã, o céu anoiteceu no Brasil, começando pelo Rio de Janeiro. Emílio Santiago, aos 66 anos, deixa desfalcado, no dia 20 de março de 2013, o time de grandes vozes brasileiras.

O cantor, que nasceu em 6 de dezembro de 1946, iniciou sua carreira cantando em festivais universitários da década de 1970 (período em que frequentava a Faculdade Nacional de Direito). Até que saiu vitorioso do programa apresentado por Flávio Cavalcanti, na extinta TV Tupi, Mercado Internacional de Talentos. Como prêmio, assinou contrato com gravadora e, desde então, deixou para a posteridade uma farta discografia, composta por 30 álbuns (sendo que o último foi lançado no ano passado).

A partir da guinada causada pela vitória no MIT, Emílio Santiago começou a impor seu tom de voz aveludado e de emissão e afinação perfeitas no tima das grandes vozes brasileiras, na época, majoritariamente composto por mulheres, como Elis Regina e Maysa.  E foi seu tom de voz barítono que catapultou instantaneamente o cantor carioca ao posto de um dos maiores crooners nativos de todos os tempos. Isto é, um cantor masculino de  estilo de canções populares, apelidado de pop tradicional, normalmente acompanhado por uma orquestra completa ou uma big band.

O grande, finalizando canção no Canecão

O grande, finalizando canção no Canecão

De fato, Emílio com toda a certeza foi, é e será um dos maiores crooners de todos os tempos. O primeiro disco foi lançado pela gravadora CID, e composto por músicas de artistas já consagrados na época, como  Ivan Lins, João Donato, Jorge Benjor,Nelson Cavaquinho, Guilherme de Brito, Marcos e Paulo Sérgio Valle. Apesar da qualidade, tanto no repertório quanto na voz do cantor, a fase de sua discografia de maior repercussão teve início na série de sete álbuns gravada na Philips, Aquarela Brasileira.  Foi dessa série de LPs, com início em 1988, que surgiu o grande sucesso Aquarela do Brasil, hit que conquistou o Brasil e o mundo,  até hoje. A série, que continuou 1995, teve mais de 3 milhões de cópias vendidas. “Brasil, pra mim…”. Sim, Emílio Santiago, o Brasil, desde então, é seu.

Em 2005, venceu o prêmio Rival Petrobras de Música, na categoria de melhor cantor. O (infelizmente) último disco lançado por Emílio Santiago foi “Só danço samba (ao vivo)”, lançado no ano passado, junto com um DVD. No começo do mês, o artista sofreu um AVC (Acidente Cardiovascular) e permaneceu internado até hoje na hora de seu falecimento, que aconteceu devido a complicações em seu quadro clínico. O velório do cantor foi realizado na Câmarara de Vereadores do Rio, no Centro, a partir do meio dia desta quarta, e foi aberto ao público.

O crítico Sérgio Cabral chegou a declarar explicitamente o tamanho apreço pelo artista: “Finalmente, um cantor que canta .” Mas não foi o único admirador de Emílio Santiago, pois se apresentou em várias cidades da Europa e dos Estados Unidos, e recebeu apenas críticas favoráveis. Um exemplo é a comparação que Stephen Holden, do New York Times, faz com Johnny Mathis depois de um show no Ballroom, em Nova York. “Santiago poderia ser a ‘resposta brasileira ao cantor norte-americano.’”

E, para terminar o texto em lágrimas, segue um dos maiores sucessos, se não o maior.

 

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This entry was posted on March 21, 2013 by .
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